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São Sebastião - uma história em cada esquina Estar no município de São Sebastião muito mais do que sentir- se próximo das belezas exóticas da Serra do Mar ou do magnífico Oceano Atlântico é realizar uma viagem no tempo. A cidade mais antiga do Litoral Norte, que completará em janeiro , 507 anos de história ainda preserva as tradições de seus colonizadores. Logo na chegada, a simples visão dos barcos de pesca colorindo o mar, pintando as águas com as cores primárias do arco- íris, dá uma imensa vontade de abrir as janelas do carro, respirar fundo e esquecer todos os problemas. A singela paisagem e a boa hospitalidade dos pescadores, despertam uma vontade irresistível de se aventurar pelas águas calmas e límpidas que envolvem o bairro São Francisco em busca de um belo cardume. Reconhecido por abrigar a maior colônia de pesca do município, São Francisco mantém o mesmo ar pueril de tempos atrás, com ruas estreitas e casas simples. Sua gente luta para manter os costumes de seus antepassados. Um exemplo, é dona Adélia Barsoti, caiçara de 82 anos, que apesar da idade avançada continua ensinando a técnica artesanal de fazer panelas e potes de barro - bastante procurados pelos turistas que visitam a cidade. Em São Francisco está construído o prédio mais antigo da cidade, o Convento de Nossa Senhora do Amparo. Localizado a beira mar, o Convento e sua igreja compõem um dos passeios mais belos e interessantes que pode ser feito em São Sebastião. Lá, escondido na Serra do Mar, também está um importante Sítio Arqueológico de mais de 200 anos de história, ruínas de uma enorme e rica fazenda de escravos. Localizado a 260 metros de altura, o sítio é de extrema beleza, com uma vista magnífica sobre o bairro São Francisco e o Canal de São Sebastião. Ainda restam da antiga propriedade, colunas, escadarias em pedra, muros de contenção ornados com figuras, aquedutos e arcos sobre pequenos vales. Todo o conjunto arqueológico está exposto no Arquivo Histórico, no Centro da cidade. Outro passeio irresistível para aqueles que desejam saber um pouco mais da história da cidade, é a Fazenda Santana, no bairro do Pontal da Cruz. Exemplo de engenho de açúcar, construída em 1743, a Fazenda possui um sobrado de pedra e taipa, que abriga a residência da família, a Capela e um Engenho. A propriedade compreende também um aqueduto de pedras. O local onde eram as senzalas, hoje é habitado por parentes de antigos serviçais. Muitos juram que quando a noite cai ainda é possível ouvir os lamentos dos escravos. A praia desse bairro é palco da lenda mais romântica e trágica de São Sebastião eternizada por uma Cruz , construída em uma pedra, onde podem ser avistados dois pés de abricós - que representam um casal de amantes que preferiu morrer a viver separado . A Cruz deu o nome ao bairro. Enquanto nos bairros São Francisco e Pontal da Cruz estão concentradas as lembranças das fazendas de escravos e resguardada a cultura da pesca, é no Centro - onde encontram- se os imponentes casarios coloniais. Propriedades de famílias abastadas, eram construídos ao redor da Igreja Matriz, que há 3 séculos representa o avanço político e social do município. Por entre ruas de pedras, os casarios construídos com cal de conchas, pedras da costeira e óleo de baleia formam um importante conjunto arquitetônico - cujos 29 edifícios são tombados pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico e Turístico do Estado). Admirar esses prédios é perceber a riqueza da cultura do povo caiçara. Alguns desses casarios estão abertos a visitação. Um deles, é o prédio que abrigou o primeiro grupo escolar do município - "Henrique Botelho" - que, atualmente, é sede da Secretaria de Turismo, Esportes e Cultura. No local, há diversas salas de exposições permanentes mostrando artesanatos caiçara e indígena, a evolução da vila de São Sebastião, entre outros. A Capela São Gonçalo, que desde o início da década de 80, abriga o Museu de Arte Sacra, também é um grande atrativo, principalmente, devido ao seu acervo que inclui imagens de santos do século XVIII, cruz de altar de 1950. Já na avenida Altino Arantes, conhecida como Rua da Praia, está localizado o prédio histórico mais nobre do município - a Casa Esperança - único tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). O casarão com aparência típica portuguesa, pertence a uma família tradicional da cidade e abriga um armarinho. O andar superior, que antes era sede da família, hoje está desabitado. A dona afirma que já ouviu ruídos "estranhos" no local, como barulho de passos na escada e ranger de portas, que imagina ser dos antigos moradores. Às vezes, em eventos especiais, os salões superiores são abertos ao público, que podem apreciar a beleza do forro pintado à mão retratando o "Paraíso", a "Atlântica" - o continente perdido -, e a chegada da família real no Rio de Janeiro. Também se destaca, por sua imponência, no Centro Histórico, o prédio que abrigou a "Casa de Câmara e Cadeia", hoje, sede do 20º Batalhão da Polícia Militar. O passeio até os bairros da Costa Sul de São Sebastião é uma agradável oportunidade para apreciar as belezas das praias e as plantas exóticas da Mata Atlântica. Durante o trajeto é possível avistar a beira da estrada a "Toca do Bicho", onde as águas que gotejam dizem que é milagrosa Antes da colonização portuguesa, essa parte da cidade era habitada pelas tribos dos índios Tupiniquins e Tupinambás. Os índios foram rapidamente dizimados, mortos por doenças trazidas pelos europeus ou pereceram devido ao trabalho escravo imposto pelos portugueses. No bairro de Boracéia, ainda existe uma aldeia de índios guaranis que vieram para o Litoral Norte no século XVII, após serem expulsos das missões jesuíticas do Sul do país. Aproximadamente 260 índios, a maioria crianças, sobrevive do cultivo de produtos agrícolas, como o palmito pupunha, e da venda de artesanato e plantas ornamentais. A Costa Sul também se diferencia pelo modo de vida da comunidade. Um exemplo, é o Sertão de Camburi, que concentra pessoas que escolheram a vida alternativa, fazendo arte em meio à mata , procuram criar os filhos voltados para a natureza. São Sebastião parece ter o dom de despertar nos visitantes o amor à arte. Muitos, após conhecerem a cidade, passam a admirar a cultura caiçara expressa nos artesanatos locais feitos em madeiras talhadas, pinturas a óleo, aquarela e nas danças folclóricas como caiapó, moçambique, folia de reis. A cidade também é um exemplo de que o antigo e o novo podem conviver em harmonia. A implantação do Porto e do Terminal Marítimo Almirante Barroso - Petrobrás - não parece ter alterado a vida da comunidade. Nem mesmo a abertura da rodovia Rio- Santos, no final da década de 70, responsável pela descoberta do município como destino turístico foi capaz de interferir na rotina dos moradores. São Sebastião, exemplo de desenvolvimento sustentável, resiste ao passar do tempo.
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